Escola de Verão | Summer School
CONVITE | OPEN CALL 19-24 julho 2026 | 19-24th july 202 Alcáçovas | Portugal
PT
As últimas décadas têm sido caracterizadas por um duplo movimento: o desenvolvimento de um sentido cosmopolita, por um lado, e o crescimento de nacionalismos, por outro. Tudo isto num cenário em que os direitos humanos se consolidaram como instituições, inspiradas em éticas tendencialmente universalistas que visam proteger a dignidade igual e transcendente de todas as pessoas, independentemente das particularidades e da autoridade de cada Estado-nação1. Territórios e fronteiras – geopolíticas, económicas, culturais, tecnológicas, físicas e/ou simbólicas – tornaram-se protagonistas na formação do pensamento cosmopolita. No entanto, fricções e tensões decorrentes da sobreposição de heterogeneidades têm-se tornado cada vez mais frequentes, surgindo, por vezes, de forma polarizada e violenta.
Os processos acelerados de transformação da Terra e as suas configurações cambiantes requerem respostas à emergência ecológica, pondo em causa as nossas conceções de coletividade, solidariedade, e a nossa, assumida, responsabilidade para com todas as formas de vida no planeta2, incluindo a criação de uma ética cosmopolita do cuidado e da hospitalidade.
ENG
Recent decades have been characterized by a double movement: the nurturing of cosmopolitanism, but, at the same time, the growth of nationalisms, as human rights have been institutionally consolidated, based on a tendentially universal ethics that seeks to protect the transcendent and equal dignity of all persons, regardless of the particulars and authorities of any nation state.1 Territories and borders — geopolitical, economic, cultural, technological, physical and/or symbolic — have taken center stage in the formation of cosmopolitan thought. However, frictions and tensions arising from overlapping heterogeneities have increasingly surfaced, often in quite polarized and even violent manifestations. Earth's accelerated processes of transformation and its mutating configurations demand that we address the ecological emergency by challenging our conceptions of collectivity, solidarity, and our assumed responsibilities toward all existing life forms on the planet2, including the formation of a cosmopolitan ethics of care and hospitality that embraces them. As these universal ethical obligations evolve, it is crucial to shift some of the attention away from the cities where cosmopolitan ideas first began to develop and refocus it on low-density territories — more natural or rural environments and communities — not only in terms of preservation, but also as areas that foster more direct relationships between humans and a wider diversity of more-than-human beings.

PT
Com a evolução destas obrigações éticas universais, é fulcral desviar o foco das cidades, onde as ideias cosmopolitas foram inicialmente concebidas, e colocá-lo nos territórios de baixa densidade – ambientes e comunidades ditos rurais – não só pelo seu trabalho de preservação, mas também porque são lugares que promovem relações mais diretas entre humanos e uma diversidade mais ampla, para lá dos seres humanos.
Recentemente, um novo campo de reflexão surgiu em torno da ideia de “planetariedade”, um termo introduzido no quadro dos estudos pós-coloniais e subalternos por Gayatri Spivak3. Este conceito refere-se aos limites do global e do mundo, procurando ir além do ser humano incluindo a vida não-humana, propondo modos de identificação coletiva que não temam a diferença – biológica, étnica e de género. A planetariedade contrasta com a artificialidade das noções de globo e de universalismo global. O planeta, como conceito, acompanha a prática de descentrar, na medida em que deixamos de ocupar o “centro do mundo”, para passarmos a ser mais um, entre os milhões de elementos que compõem o sistema planetário.
Uma (re)conexão dos humanos com todas as existências, matérias e forças deve pensar em políticas que concernem as periferias e deve ter em conta a heterogeneidade dos territórios. Pensar a ecologia hoje é um exercício multidimensional e profundamente interdependente, tão urgente quanto extenso, que implica todos os meios, formas e técnicas de produção de conhecimento. Este desafio terá de ser abordado em várias escalas e dimensões interligadas, influenciando-se e determinando-se com base num diálogo complexo.
ENG
Recently, a new field of reflection has emerged around the notion of ‘planetarity,’ a term introduced within subaltern and postcolonial studies by Gayatri Spivak3. It addresses the limits of the global and the world, seeking to expand a vision beyond the human being to also include non-human life while also advocating modes of collective identification that do not fear — biological, ethnic, and gender — difference. Planetariy contrasts with the artificiality of the notion of the globe and the idea of global universalism. The planet, as concept, accompanies the notion of the de-centring that we have been introducing, in that we are no longer at the ‘center of the world’, but have become just one of the millions of elements that make up the planetary system.
A (re)connection of humans with all existing beings, matters and forces must draw in policies that address the peripheries and has to take into account the heterogeneity of the lands. Thinking ecology today has become a multidimensional and deeply interdependent task, as urgent as it is gargantuan, comprising all aspects, forms and ways of knowledge production. This undertaking will have to take place on various intertwined scales and dimensions, influencing and determining each other.

PT
Terra, terras e territórios reflete estas dimensões interligadas. Na medida em que nenhuma pode existir sem as outras, têm de ser pensadas em conjunto.
A escola é um espaço de aprendizagem mútuo e transdisciplinar, onde os e as participantes são convidados a contribuir para a discussão e compreensão do presente, como uma visão coletiva de um futuro emancipado. É uma escola de verão tomada como laboratório, onde as experiências, performances, artigos, leituras, estudos, sons, filmes, entre outros, são bem- vindos.
Convidamos os e as participantes – ativistas, artistas, investigadores/as professores/as, estudantes, e outros/as – a enviar propostas que interajam com as seguintes questões, entre outras:
O que entendemos por Terra, terras e territórios? Com que termos, práticas, recursos e políticas devemos interagir para chegar a tais entendimentos? Quais são as fronteiras que delimitam terras e territórios? Como se configuram? Que fatores políticos, económicos, culturais e simbólicos contribuem para a sua definição, desenvolvimento e erosão?
Que percursos de aprendizagem – artística, científica, ativista, cidadã – podemos promover para responder aos desafios relacionados com realidades e princípios como a justiça ecológica, biodiversidade, património natural e cultural, e a dignidade humana às escalas planetária e local?
Como podemos responder aos discursos e narrativas económicos e políticos que emergem e são difundidos nas geografias periféricas e centrais?
Ao longo de cinco dias, iremos juntar-nos para partilhar comidas, espaços e experiências, para estimular discussões substantivas.
A primeira língua de trabalho é o inglês.
ENG
Earth, lands & territories reflect these interconnected dimensions. None exists without the other and, thus, must be thought together.
The school is designed to be a space for mutual and transdisciplinary learning, where participants are encouraged to contribute to the discussion and understanding of the present, while collectively envisioning an emancipated future. It is a summer school taken as a laboratory, where experiments, performances, papers, readings, sounds, short-films, etc. are welcome.
We invite participants — activists, artists, practitioners, researchers, scholars, students, and others — to send proposals that engage with the following questions, among others:
What are our understandings of earth, lands and territories? Which terms, practices, resources, and politics should we engage with for such understandings?
What is our understanding of frontiers that distinguish lands and territories? How are they configured? Which political, economic, cultural, and symbolic factors contribute to their definition, development, and erosion?
Which learning — artistic, scientific, activist, citizenship — paths can we promote to address, e.g., ecological justice, biodiversity, natural and cultural patrimony, and human dignity at global and local scales?
How do we address the economic and political discourses and narratives that appear on peripheral and central geographies?
Over the course of five days, we gather to share food, space, and experiences to stimulate meaningful discussions.
The primary working language will be English.

PT
A Escola de Verão decorre na Oficina Rua do Relógio.
A Oficina Rua do Relógio é um espaço social e cultural. Nasce em Alcáçovas, na Rua do Relógio, numa casa que foi, até aqui, uma casa da família do Sr. João Ilhéu. Uma casa e uma oficina de sapateiro tornadas num espaço de mesteres vários. Nesta oficina reúnem-se pessoas. Pessoas com vontade de aprender, de fazer, de partilhar. De fazer com as pessoas do lugar e de trazer pessoas para o lugar. Envolvendo o património de Alcáçovas e do Alentejo. O encontro com a, agora, Oficina Rua do Relógio teve na sua base a procura de um edifício notável, localizado no centro histórico de Alcáçovas. Tratou-se de uma oportunidade de recuperar e renovar um edifício que se apresenta como um objeto construído de elevado valor patrimonial e arquitetónico, onde pontificam as grossas paredes de alvenaria e os tetos em abobadilha de tijolo, estes últimos assentes numa antiga técnica de abobadamento, transmitida pelos mestres de geração em geração.
Convidamos à submissão de um documento de uma página que contemplo: o interesse pela escola de verão, uma nota biográfica e um resumo de uma proposta com uma dimensão máxima de 800 palavras até 31 de março de 2026 para: summerschool@oficinaruadorelogio.com
A equipa organizadora está a trabalhar para manter a participação o menos onerosa possível. A inscrição tem um valor de 150 euros (com alojamento e refeições incluídos), não incluindo os custos de viagem. Caso não tenha condições para pagar a inscrição, não hesite em nos contactar e nós trabalharemos para encontrar uma solução.
Entretanto, não hesite em enviar-nos as suas propostas para participar e junte-se a nós em Alcáçovas!
ENG
The Summer School will take place at Oficina Rua do Relógio.
Oficina Rua do Relógio is a social and cultural space. It is a cooperative born in Alcáçovas, at Rua do Relógio, in a house that was until then a family home of Mr. João Ilhéu. A house and a shoemaker's workshop turned into a space for various crafts. People gather in this workshop. People with a desire to learn, to make, and to share. To make with the local people and to bring people to the place. Alcáçovas is a small village in the Alentejo region of Portugal, known for being the site where a historical peace treaty was signed between Portugal and Spain at the end of the 15th century. This authentic gem features beautiful vernacular architecture, a Renaissance palace with charming gardens, and a famous cowbell industry that is recognized as an intangible cultural heritage. The village also boasts a renowned pastry tradition. Surrounding Alcáçovas are scenic villages and cities, including Évora, a UNESCO World Heritage site just 30 minutes away, which is well worth a visit. Alcáçovas is reachable by train from Lisbon.
We invite you to submit a one-page cover letter outlining your interest in the summer school and a short mini-bio, plus an abstract of your proposal (maximum of 800 words) by March 31, 2026 by email: summerschool@oficinaruadorelogio.com
The organizing team is working towards making participation as cheap as possible. The fee is 150 euros (including accommodation and food), aside from travel costs. If you cannot pay the fee, do not hesitate to let us know and we will work to find a solution.
In the meantime, do send us your proposal for participation and join us in Alcáçovas!
1 Benhabib, Seyla (2006). Another Cosmopolitanism. New York: Oxford University Press. 2 Morton, Timothy (2010). Thinking Ecology: The Mesh, the Strange Stranger and The Beauful Soul, in Collapse: Philosophical Research and Development, Vol. VI. Falmouth: Urbanomic. 3 Spivak, Gayatri Chakravorty (2003), Death of a Discipline. New York: Columbia University Press.

Comissão organizadora | Organizing Team
PT
- Ana Carolina Haddad, estudante de doutoramento em Economia Política, Iscte, Instituto Universitário de Lisboa
- Ana Raquel Paulos estudante de doutoramento, Universidade de Évora e CMVA
- António João Lima, Oficina Rua do Relógio
- Bianca Barp, estudante de doutoramento em Economia Política, Iscte, Instituto Universitário de Lisboa
- Carlos Baptista, Oficina Rua do Relógio e estudante de doutoramento, Universidade de Coimbra
- Catarina Lopes, Oficina Rua do Relógio
- Cristina Grande, Oficina Rua do Relógio e Fundação de Serralves
- Eduardo Luciano, Oficina Rua do Relógio e CIMAC
- Francisco Miranda, estudante de mestrado em Economia Política, Iscte, Instituto Universitário de Lisboa
- João Loureiro, Observatório do Emprego Jovem e Instituto Universitário de Lisboa
- Joana Marques, Instituto Universitário de Lisboa
- Juan Luis Toboso, Oficina Rua do Relógio & ESAP
- Lendl Barcelos, Oficina Rua do Relógio
- Luísa Veloso, Oficina Rua do Relógio e Iscte, Instituto Universitário de Lisboa
- Nuno Matos, Oficina Rua do Relógio Pedro Rocha, Oficina Rua do Relógio e Fundação de Serralves
- Tiago Pinhal Costa, Oficina Rua do Relógio
ENG
- Ana Carolina Haddad, estudante de doutoramento em Economia Política, Iscte, Instituto Universitário de Lisboa
- Ana Raquel Paulos estudante de doutoramento, Universidade de Évora e CMVA
- António João Lima, Oficina Rua do Relógio
- Bianca Barp, estudante de doutoramento em Economia Política, Iscte, Instituto Universitário de Lisboa
- Carlos Baptista, Oficina Rua do Relógio e estudante de doutoramento, Universidade de Coimbra
- Catarina Lopes, Oficina Rua do Relógio
- Cristina Grande, Oficina Rua do Relógio e Fundação de Serralves
- Eduardo Luciano, Oficina Rua do Relógio e CIMAC
- Francisco Miranda, estudante de mestrado em Economia Política, Iscte, Instituto Universitário de Lisboa
- João Loureiro, Observatório do Emprego Jovem e Instituto Universitário de Lisboa
- Joana Marques, Instituto Universitário de Lisboa
- Juan Luis Toboso, Oficina Rua do Relógio & ESAP
- Lendl Barcelos, Oficina Rua do Relógio
- Luísa Veloso, Oficina Rua do Relógio e Iscte, Instituto Universitário de Lisboa
- Nuno Matos, Oficina Rua do Relógio Pedro Rocha, Oficina Rua do Relógio e Fundação de Serralves
- Tiago Pinhal Costa, Oficina Rua do Relógio
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